A adoção da Inteligência Artificial Generativa no Brasil alcançou uma marca impressionante: 50 milhões de pessoas já utilizam ferramentas como ChatGPT e similares. Este número, revelado pela pesquisa TIC Domicílios 2025 do CGI.br, posiciona o país como um dos maiores mercados de IA do mundo em termos absolutos. No entanto, para qualquer Diretor Industrial ou de Tecnologia que busca construir uma estratégia de longo prazo, a leitura dessa manchete deve ir além do entusiasmo inicial. Por trás do volume, esconde-se uma profunda desigualdade que, se não for abordada, pode transformar um potencial mercado de massa em um nicho elitista, limitando severamente o verdadeiro impacto e a escalabilidade da sua operação.
O Que Aconteceu
Os dados da pesquisa TIC Domicílios 2025 são claros: 32% dos internautas brasileiros, equivalentes a aproximadamente 50 milhões de indivíduos, já interagem com IA generativa. Esse crescimento acelerado desde 2023 é inegável. Mas a inteligência reside na interpretação dos detalhes:
- Desigualdade Profunda: A adoção é de 69% na classe A, mas despenca para 16% nas classes D/E. Em termos educacionais, 59% dos usuários têm ensino superior, contra apenas 17% com ensino fundamental. Geograficamente, o Sudeste lidera com 38%, enquanto o Norte registra 22%.
- Perfil de Uso: A faixa etária entre 16-24 anos lidera (45%), e 62% dos usuários fazem uso semanal. As aplicações predominantes são geração de textos (48%), imagens (31%) e código (12%).
- Acesso: 71% utilizam aplicativos mobile gratuitos, enquanto 18% pagam por assinaturas premium.
- Barreiras: Classes D/E citam o custo de dados móveis (42%) e a falta de conhecimento (35%) como principais obstáculos.
Esses números desenham um cenário de adoção massiva, sim, mas com uma concentração de valor e engajamento em segmentos específicos. Ignorar essa segmentação é apostar na miopia estratégica.
A Análise do Alquimista
Como Artur na Centrato AI, minha visão é que o “50 milhões de usuários” é uma miragem se você não compreende os “outros 80%” que estão sendo negligenciados. Um produto de IA que serve apenas à elite não é uma solução de escala para o Brasil; é um luxo, um “brinquedo” para poucos. A verdadeira alquimia está em transformar esse potencial não atingido em valor real e democratizado.
Olhar apenas para os 20% mais abastados, que hoje são os maiores adeptos e pagantes, é perder a oportunidade exponencial que se esconde nos 80% restantes. Esse abismo não é apenas social; é um abismo de mercado. As classes C, D e E representam um volume gigantesco de potenciais usuários, mas exigem abordagens de produto e precificação completamente diferentes. As barreiras não são tecnológicas intrínsecas à IA, mas sim de acesso e conhecimento – problemas que podem ser superados com estratégia.
Construir um ecossistema de IA verdadeiramente robusto e estratégico no Brasil significa desenvolver “multi-agentes”, ou seja, soluções adaptadas para diferentes realidades. Isso vai além da mera inclusão social; é sobre construir resiliência de mercado e garantir que sua inovação não se torne obsoleta por focar em um nicho que, embora lucrativo no curto prazo, limita drasticamente seu potencial de crescimento e impacto em longo prazo.
Impacto na Operação
Para o Diretor Industrial ou de Tecnologia, essa pesquisa não é apenas uma estatística; é um mapa para redefinir prioridades:
- Estratégia de Produto Inclusiva: Desenvolva versões “low-data” ou “offline-first” para regiões com conectividade limitada. Foque em interfaces intuitivas e acessíveis, que minimizem a necessidade de conhecimento técnico prévio. A usabilidade deve ser universal, não elitista.
- Modelos de Precificação Adaptativos: Crie ofertas segmentadas que considerem o poder aquisitivo das diferentes classes. O modelo “freemium” com funcionalidades básicas robustas via apps mobile pode ser a chave para penetrar nas classes C, D e E.
- Desenvolvimento de Talentos e Localização: Invista na formação de talentos em diversas regiões e classes sociais. Soluções que compreendem as nuances culturais e socioeconômicas do Brasil são construídas por equipes que refletem essa diversidade. Isso também significa treinar modelos de IA com dados que representam a pluralidade do português brasileiro, e não apenas dialetos específicos.
- Parcerias Estratégicas e Engajamento Político: Colabore com o setor público (como o próprio CGI.br) e instituições de ensino para desenvolver programas de alfabetização digital e políticas de subsídio para banda larga. O Marco Legal da IA (PL 2338/2023) deve ser visto como uma oportunidade para moldar um futuro mais equitativo e sustentável para a IA no país.
- Vantagem Competitiva: Empresas como Nubank e Magazine Luiza não cresceram exponencialmente focando apenas na classe A. Elas construíram negócios para o “Brasil real”. Ignorar os próximos 30, 50 milhões de usuários de IA em classes menos favorecidas é ceder terreno para concorrentes com uma visão mais inclusiva e, consequentemente, mais escalável.
Conclusão
Os 50 milhões de usuários de IA generativa no Brasil são um marco, mas a desigualdade na adoção é um chamado à ação. A verdadeira estratégia não é apenas celebrar os números atuais, mas planejar para os “próximos 80%” do mercado que estão esperando por soluções inteligentes, acessíveis e verdadeiramente impactantes. A Centrato AI acredita que o futuro da IA no Brasil depende da nossa capacidade de inovar com inclusão, transformando barreiras em pontes para um crescimento sustentável e generalizado. Não deixe sua IA ser um luxo; transforme-a em uma ferramenta essencial para todos. Sua empresa está pronta para abraçar essa visão?
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